Fichamento atividade 4 Epistemologia  da Psicanálise
Texto: Totem e Tabu
 Freud, SIGMUND. Obras Completas, vol. XIII. Totem e Tabu, e outros Textos.
Site : Palavra  Escuta : Totem e tabu (1913) Resenha
Aluna: Adriane de Andrade Lengruber
I-O HORROR AO INCESTO
“[...] uma comparação entre a psicologia dos povos primitivos, como é vista pela antropologia social, e a psicologia dos neuróticos, como foi revelada pela psicanálise, está destinada a mostrar numerosos pontos de concordância e lançará nova luz sobre fatos familiares às duas ciências.” (pág.8)
“[...] verificamos que eles (aborígenes australianos) estabelecem para si próprios, com o maior escrúpulo e o mais severo rigor, o propósito de evitar relações sexuais incestuosas.” (pág.9)
“[...] As tribos australianas subdividem-se em grupos menores, ou clãs, cada um dos quais é denominado segundo o seu totem.” (pág.9)
“A relação de um australiano com seu totem é a base de todas as suas obrigações sociais: sobrepõe-se à sua filiação tribal e às suas relações consanguíneas.” (pág.9)
“Em quase todos os lugares em que encontramos totens, encontramos também uma lei contra as relações sexuais entre pessoas do mesmo totem [...]” (pág.9)
“[...] o fato é que a ligação entre totemismo e exogamia existe, sendo indiscutivelmente uma ligação muito firme.” (pág.9)
“Todos os que descendem do mesmo totem são parentes consanguíneos. Formam uma família única e, dentro dela, mesmo o mais distante grau de parentesco é encarado como impedimento absoluto para as relações sexuais.” (pág.11)
“[...] a proibição de relações sexuais entre os membros do mesmo clã, parece ter constituído o meio apropriado para impedir o incesto grupal [...]” (pág.12)
“O sistema de classes matrimoniais, em seus desenvolvimentos mais avançados, testemunha um empenho de ir além da prevenção do incesto natural e de grupo e de proibir o casamento entre grupos de parentes ainda mais distantes.” (pág.14)
“[...] (o horror ao incesto apresentado pelos selvagens) se trata fundamentalmente de uma característica infantil, e que revela uma notável concordância com a vida mental dos pacientes neuróticos.” (pág. 20)
“[...] não é de pouca importância que possamos mostrar que esses mesmos desejos incestuosos, que estão destinados mais tarde a se tornarem inconscientes, sejam ainda encarados pelos povos selvagens como perigos imediatos, contra os quais as mais severas medidas de defesa devem ser aplicadas” (pág.20).
II - TABU E AMBIVALÊNCIA EMOCIONAL
“As restrições do tabu são distintas das proibições religiosas ou morais. [...] As proibições dos tabus não têm fundamento e são de origem desconhecida. [...]” (pág.21)

 Freud ao buscar as origens das neuroses, imerge num estudo antropológico, deparando-se como referência mais primordial as tribos aborígenes da Austrália. Institui dessa maneira o mito da horda primeva e do assassinato do pai totêmico como parâmetro para explicação e entendimento das psicopatologias neuróticas. Ele encontra o mesmo tipo de característica infantil das tribos aborígenes nas psicopatologias neuróticas. Os aborígenes australianos se dividem em clãs, direcionados por totens. E reverenciam profunda e intensamente a figura totêmica, sendo essa reverência superior á da tribo e á consanguínea. Onde o totem é adotado existe uma lei severa contra o incesto. Freud ressalta que essa lei severa adotada contra o incesto se dá por conta da vontade dos aborígenes de cometê-lo. Freud lembra que a primeira escolha amorosa de um menino é incestuosa – a mãe ou a irmã. Destaca que a dualidade dos sentimentos dos aborígenes é semelhante à dos neuróticos- deseja o que é proibido (mesma dualidade existente nos tabus). E quando esse tabu é violado promove o surgimento da sensação de culpa, e a relaciona à angústia e às características do neurótico obsessivo. Apesar dos paralelos traçados entre tabu e neuroses, Freud destaca que são considerações diferentes: o tabu seria uma instituição cultural (a cultura dispõe sobre o que seja tabu) e as neuroses seriam fundamentações associais, onde as pulsões sexuais predominariam sobre as sociais.
Freud ressalta três características dos tabus: - animismo –(crença na alma, algo que domina um corpo, que iria levar á formação das religiões); - magia (necessidade de controlar o mundo, onde as leis da natureza são substituídas por leis psicológicas); - onipotências dos pensamentos (crença nos desejos), e associa-as ao narcisismo.
Freud assevera a necessidade de se respeitar fortemente os tabus que revestem o totem sob o risco de punição com doença grave ou morte.
Retorna à questão da exogamia (proibindo os incestos no totemismo) e a teoria evolucionista de Darwin que trata da melhora das gerações quando os casamentos são realizados entre linhagens diferentes.
Freud através de estudos psicanalíticos conclui que o totem é um substituto do pai primevo “que até hoje caracteriza o complexo-pai em nossos filhos” (pág.145)
Freud institui o mito da horda primeva no qual os filhos matariam e devorariam o pai dominador, opressivo e repressivo, pondo um fim a essa opressão e dominação patriarcal, e o fato de o devorarem, os fariam adquirir sua força. Freud destaca a dualidade de sentimentos dos filhos para com o pai dominador e opressor, pois ao mesmo tempo em que o pai era impedimento para a materialização de seus desejos incestuosos (os primeiros desejos eram incestuosos), o admiravam por sua força e domínio. E devido a essa duplicidade de sentimentos se sentem culpados pelo assassínio desse pai, e substituem a hora patriarcal pela hora fraternal.
 Freud considera que nas religiões existe a mesma relação ambivalente de sentimentos, onde Deus seria o pai da hora morto e glorificado, afetando inclusive as organizações sociais, com as famílias voltando a se organizarem de maneira patriarcal.



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