Amor em Filosofia e Psicanálise-Atividade 4- Adriane de A. Lengruber.
Proponho que o aluno faça uma análise em grupo sobre os sintomas obsessivos apresentados pelo protagonista do filme "Melhor é Impossível", com base nas considerações apresentadas no módulo. O envio da atividade é individual, apesar da discussão em grupos.
“Para Lacan (1993, p.19), o “pensamento com o qual a alma fica embaraçada, não sabe o que fazer” traduz o que é o sintoma obsessivo.” (p.10). Segundo Lacan é manifesto a associação, a ligação, a união que o obsessivo tem com seus pensamentos, elucubrações. O obsessivo permanece em introspecção, compenetrado, introjetado, voltado para si mesmo.
  O filme “Melhor Impossível” (As Good As It Gets, 1997) tem como protagonista Melvin Utell, interpretado por Jack Nicholson no papel de um escritor famoso que mora sozinho num apartamento na cidade de Nova York. Vizinho de um artista plástico gay que é dono de um cãozinho de raça que incomoda nosso personagem terrivelmente com seus latidos.  O personagem em questão passa boa parte do seu tempo escrevendo seus romances. Muito fluente em sua escrita, já não é tão bom nas relações pessoais. Com atitudes descorteses, desagradáveis no trato diário com as pessoas de sua convivência.  Mantém-se sempre afastado das pessoas, evitando maiores aproximações. Psicanaliticamente ele se mantém distanciado das outras pessoas para não estar em contato com o outro, com o desejo do outro, como uma condição de defesa. Nosso personagem, como bom obsessivo, tem dificuldade de se relacionar, de conversar com as pessoas, optando pelo retraimento. O filme retrata sua dificuldade em relação ao contato, ao toque.  Tocar o outro significa responsabilizar-se. O nosso escritor não gosta de ser elogiado tão pouco de elogiar. Em algumas cenas do filme temos o personagem usando luvas e ao caminhar pelas calçadas o faz em ziguezague, evitando as linhas que demarcam o piso das mesmas. O obsessivo se posiciona como aquele sem vida, fenecido justamente para se esquivar do seu desejo. Ele se mantém em dúvida sobre decisões a serem tomadas , sempre as adiando, permanecendo em eterna descontinuidade, desfazendo-se na cidadela mental criada para si próprio e também no estabelecimento de regras no seu cotidiano.
 O filme mostra que o motivo principal do sofrimento do obsessivo são seus pensamentos. Sua dor é antes de tudo mental. Apaixona-se pela garçonete do restaurante em que almoça todos os dias, ela a aceita do jeito que é. Ela o aceita e o defende de outras pessoas que se sentem agredidas pelo jeito rude dele.  Ao se apaixonar, se vê defrontado com o seu desejo, tendo que repensar todas as suas atitudes até então, tendo inclusive voltado ao psiquiatra, após dois anos de abandonar o tratamento. Chega a declarar para ela que ela o faz querer ser uma pessoa melhor. Ao de ver diante do seu objeto de desejo chega ao ponto de agredi-la verbalmente, numa tentativa de diminuir esse objeto de desejo, rebaixando-o para que seja mais fácil não o desejar. De uma forma ambígua vai tratando sua relação com a garçonete, usando de sarcasmo e ironia, a menosprezando em algumas situações, mas mudando de comportamento no seu dia-a-dia, tocando piano para o cãozinho que estava no seu apartamento (já o havia jogado no lixo anteriormente), tratando com humanidade seu vizinho gay (já o tinha humilhado em situações prévias), assim se tronando uma pessoa mais leve.
 Ao mostrar seus rituais vemos como lava suas mãos, usando o sabonete uma única vez e descartando, ao arrumar mala a organiza metodicamente, pois precisa dominar o que está fora, já que não consegue dominar o que está dentro.

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